A obra é fruto das pesquisas do autor, que já publicou dois outros Volumes, intitulados Para uma teoria da Constituição como teoria da sociedade –Estudos preparatórios. A obra não vem oferecer mais uma resposta à clássica questão “o que é uma Constituição?”, mas desloca o plano da pergunta: “o que é a Constituição em uma sociedade concreta, historicamente determinada, situada na periferia do capitalismo mundial e marcada por um legado escravocrata que não é resíduo do passado, mas estrutura persistente do presente?” O livro faz um chamado à (nossa) responsabilidade intelectual: uma cultura teórico-constitucional robusta exige memória, diálogo crítico interno e consciência histórica.
David F. L. Gomes – Professor adjunto da Faculdade de Direito da UFMG. Líder nacional do grupo de pesquisa CNPQ CONAPRES – Constitucionalismo e Aprendizagem Social. Mestre e doutor em direito pela UFMG.
SUMÁRIO
PREFÁCIO……….ix
INTRODUÇÃO: SÍSIFO, SEU MITO E NOSSA HISTÓRIA
INTELECTUAL……….3
- DELINEAMENTO EPISTÊMICO E METODOLÓGICO:
MODELOS TEÓRICO-CONTRATUALISTAS E MODELOS
TEÓRICO-SOCIAIS……….25
I.1. O contratualismo em três características epistêmico-metodológicas
compartilhadas……….26
I.2. Emmanuel Joseph Sieyès e o berço contratualista da teoria constitucional moderna……….31
I.3. A economia política e a crise do contratualismo……….33
I.4. O contraste entre abordagens teórico-contratualistas e abordagens
teórico-sociais……….45
I.5. Uma teoria da Constituição estruturada como teoria da sociedade……….53
- A SOCIEDADE MODERNA E SEU CONSTITUCIONALISMO……….55
II.1. Constituição, um curto-circuito entre a autocompreensão da era revolucionária e a teoria constitucional contemporânea……….56
II.2. Uma “sociedade de produtores de mercadorias”……….68
II.3. Mais do que uma “sociedade de produtores de mercadorias”……….86
II.4. A vinculação umbilical entre constitucionalismo e capitalismo……….99
II.5. O descaminho da pulsão classificatória……….106
III. EXCURSO: DEPENDÊNCIA – GÊNESE E PRINCIPAIS
DESDOBRAMENTOS DE UM ENFOQUE CRÍTICO PERIFÉRICO……….111
III.1. A potência originária da crítica decolonial e sua deriva contemporânea……….112
III.2. A década de 1960, os golpes de Estado e a crise do
desenvolvimentismo progressista……….123
III.3. Plúrima já desde as origens: a gênese múltipla do enfoque da Dependência……….130
III.4. A revisão autocrítica internamente ao pensamento cepalino……….138
III.4.1. Celso Furtado e a dependência cultural e tecnológica……….139
III.4.2. Osvaldo Sunkel, integração transnacional e desintegração
nacional……….147
III.5. A interpretação marxista……….154
III.5.1. Uma “teoria marxista da dependência”?……….154
III.5.2. O diagnóstico de fundo: imperialismo, integração capitalista monopólica e novo caráter da dependência……….156
III.5.3. A superexploração do trabalho……….59
III.5.4. O subimperialismo……….164
III.5.5. A marginalidade……….167
III.5.6. As lutas de classe e a opção irredutível: socialismo ou fascismo……….176
III.6. Dependência & desenvolvimento……….178
- CONSTITUCIONALISMO E DEPENDÊNCIA……….187
IV.1. A teoria da Constituição brasileira e a “sociologia da herança patriarcal-patrimonial”……….90
IV.2. O novo constitucionalismo latino-americano, o enfoque decolonial e o apelo a Constituições autóctones……….200
IV.3. A clivagem centro-periferia e uma primeira refração geopolítica do constitucionalismo moderno……….204
IV.4. A dependência, os donos do poder e o idealismo constitucional……….211
IV.5. Cautelas recomendadas……….219
- UM NÓS FRATURADO E UMA AVERSÃO PATOLÓGICA À IGUALDADE……….227
V.1. Um nós fraturado……….229
V.2. Brasil: hierarquia e desigualdade como sociedade ideal……….236
V.3. Escravismo, reconhecimento e efeitos de transbordamento……….244
V.4. Constitucionalismo, raça e a segunda refração geopolítica do
constitucionalismo moderno no Brasil……….253
- EXCURSO: UMA INTERPRETAÇÃO DA NOSSA CRISE……….267
VI.1. O Estado de bem-estar social e suas tendências de crise……….270
VI.2. Desafios específicos do Estado de bem-estar social em sua refração
Periférica……….278
VI.3. O Estado de bem-estar social em sua refração periférica e a crise
constituinte……….284
VI.4. Sociabilidade escravocrata e regressão como reação defensiva:
Brasil, de junho de 2013 a 08 de janeiro de 2023……….289
VI.5. A armadilha dos nomes: constitucionalismo, democracia e
interrupção regressiva……….306
VII. O ESCÂNDALO DE UMA CONSTITUIÇÃO DEMOCRÁTICA: APRENDIZAGEM-CATÁLISE-APRENDIZAGEM……….311
VII.1. Direito e transformação social antes de 1988……….313
VII.2. A Constituição de 1988 e o reposicionamento das peças no tabuleiro……….318
VII.3. A Constituição de 1988 e sua atração tanatológica……….327
VII.4. Uma Constituição democrática: escândalo e aprendizagem……….333
VII.5. Constitucionalismo: lutar com ele, lutar por ele………..343
CONSIDERAÇÕES FINAIS: RUMO A UM CONSTITUCIONALISMO TRANSMODERNO……….351
REFERÊNCIAS………………………………………..363




Avaliações
Não há avaliações ainda.